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| Foto: Fábio Dutra |
Descontente com o novo sistema de integração tarifária implantado no Município, a educadora Maria Aparecida Dias Vieira levou, na tarde de ontem, um abaixo-assinado com cerca de 500 assinaturas de usuários do transporte coletivo insatisfeitos com o sistema ao Ministério Público. A professora reivindica porque considera que a integração, além de acabar com algumas linhas, o que dificulta o deslocamento das pessoas, também obriga a população a adquirir o cartão Mais Rio Grande.
Ela também reclamou sobre a questão da segurança, já que os usuários que descem no Trevo ou na estação da Junção precisam atravessar a ERS-734 para fazer a integração. “Muitas crianças pegam o ônibus para a escola e precisam fazer a integração, se, para nós, que somos adultos, é perigoso atravessar a faixa, imagina para elas!”, constatou, preocupada com a volta às aulas no próximo mês. O pedido da professora foi protocolado na Promotoria de Justiça. Aparecida informou, ainda, que agendou uma audiência pública junto ao Legislativo municipal para discutir o tema. O evento está marcado para a próxima segunda-feira, 26, no plenário da Câmara de Vereadores.
Os frentistas Everton Santos e Magno Sampaio, que moram no bairro Santa Rosa e trabalham na Barra, estavam fazendo a integração na estação de transbordo do Trevo por volta das 14h de ontem e disseram que a ida para o trabalho melhorou, já que, agora, há mais linhas de ônibus disponíveis, no entanto, o último ônibus para o retorno até o Trevo sai da Barra às 20h20min. Como o expediente termina às 23h, os trabalhadores precisam ir até o Centro e, depois, seguir para o bairro, o que torna o trajeto muito mais longo e cansativo. Everton também informou que o seu cartão Mais Rio Grande, por duas vezes, não integrou, obrigando-o a pagar uma passagem a mais.
Chuva complicou a situação
O operário Rudinei Soares Silva e o frentista Cristiano Coelho também fizeram a mesma reclamação sobre os horários dos últimos ônibus que saem da Barra para o Trevo. Além disso, Silva disse que, na última segunda-feira, ficou totalmente encharcado sob a chuva que era constante naquele dia, esperando o ônibus na estação de integração do Trevo, que permanecia descoberta. Ontem, uma lona cobria a estrutura de ferro, o que, para o trabalhador, continuava sendo inadmissível. “Eles deveriam, pelo menos, estar com a estrutura pronta antes de começar o novo sistema”, relatou.
Segurança
A técnica em enfermagem Estela Pelufê, que é natural de Pinheiro Machado e mora há 10 anos em Rio Grande, disse que não utiliza muito o transporte coletivo, mas afirmou que, desde que chegou ao Município, chamou a sua atenção as péssimas condições da estação de transbordo do balneário Cassino, onde mora. “Aquilo lá parece um brete”, brincou. Sobre o novo sistema, Estela disse que as estruturas das estações deixam a desejar, além disso, ela ressaltou que o fato de ter que atravessar a estrada sem nenhuma segurança de uma estação a outra, no Trevo, é uma situação de alto risco para a comunidade.
A comerciante Clair Ribeiro, que utilizava a antiga linha Cassino - Cidade Nova, contou que, agora, precisa fazer a integração na Junção e descer na rua Dom Bosco ou na avenida Portugal. Ela disse que o trajeto ficou mais demorado e que o destino não é o mesmo. “A linha Cidade Nova está fazendo falta para muita gente”, constatou. Ela também disse que o seu cartão Mais Rio Grande, necessário para fazer as integrações, não está funcionando. Por todos esses motivos, a trabalhadora preferiu pegar o ônibus que vai direto para o Centro, descer na avenida Pelotas e caminhar várias quadras.
O titular da Secretaria Municipal de Segurança, dos Transportes e do Trânsito (SMSTT), Enoc Guimarães, informou que o novo sistema implantado no Município, no último sábado, 17, ainda está em fase de ajustes e, nesse sentido, a secretaria está fazendo um levantamento sobre a demanda das linhas e a satisfação dos usuários. Com relação à extinção da linha Cassino – Cidade Nova, o secretário disse que, na verdade, hoje, o usuário tem mais opções de ônibus e pode chegar mais rápido ao destino: “Antes, saía um ônibus a cada 1 hora e 50 minutos, agora, existem mais opções”, disse. Segundo ele, o objetivo da mudança foi justamente trazer agilidade aos passageiros que necessitam do trajeto.
Sobre os perigos da travessia na estrada, Enoc disse que, no Trevo, isso já acontecia, ainda assim, está sendo estudada, junto ao Daer, a possibilidade de colocar um canteiro no meio da estrada. Nas estações de transbordo da Junção, o secretário informou que as pessoas não precisam atravessar a via, podem pegar a linha J01 (Junção via Bernadeth), que é gratuita e passa a cada 10 minutos. Conforme Enoc, a nova linha deixa as crianças na porta das escolas do bairro, o que não acontecia antes.
A respeito das reclamações sobre os cartões que não estão funcionando, o secretário informou que, quando isso acontecer, o usuário deve informar imediatamente ao cobrador ou a um fiscal sobre o ocorrido. Feito isso, o passageiro terá o crédito ressarcido. Até o fim da tarde de ontem, Guimarães disse que cerca de 10 mil integrações haviam sido feitas e, destas, 60 não deram certo. Ciente do problema, Enoc disse que os usuários lesados não terão prejuízo.
Questionado sobre a estação do Trevo, que ainda não está coberta, o secretário disse que houve um atraso na entrega das estações em função das chuvas dos últimos dias, no entanto, assim que melhorar o tempo, ele disse que a estrutura será finalizada. Para prestar esclarecimentos à população sobre as linhas, os trajetos e os horários dos ônibus, Enoc disse que a secretaria está preparando um informativo, que deverá ser distribuído nos coletivos e nas estações nos próximos dias. Ele também disse que, hoje, será instalado, na estação da Praça Tamandaré, um sistema de informação eletrônico com uma tela em touchscreen, onde as pessoas poderão pesquisar sobre as rotas dos ônibus, linhas de integração entre outras informações que poderão ser impressas gratuitamente no local. Mais informações podem ser obtidas no site da Prefeitura (www.rio grande.rs.gov.br) ou no site da Viação Noiva do Mar (www.noivadomar. com.br).
Por Tatiane Fernandes
tati@jornalagora.com.br