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Foto: Fábio Dutra
Paulo Sérgio Passos diz que a obra, com custo total de R$ 1,6 bilhão, é prioritária
O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, acompanhado do diretor de Infraestrutura Rodoviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Hideraldo Luiz Caron, vistoriou as obras de duplicação da BR-392, no trecho entre Rio Grande e Pelotas, na manhã de ontem. Passos disse ter ficado satisfeito com o bom andamento das obras, que estão em execução nos lotes 2 (do km 60,7, na ponte sobre o Canal São Gonçalo, até o km 35,8, no Banhado 25) e 3 (do km 35,8 até o km 8,7, próximo ao Superporto do Rio Grande). Destacou que a duplicação da rodovia é definida como prioridade para o governo Federal, é uma obra do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem recursos garantidos.
Segundo o ministro, não há nenhum tipo de restrição orçamentária ou financeira para essa obra, que terá um custo total de R$ 1,6 bilhão, incluindo a recuperação da ponte antiga sobre o Canal São Gonçalo. Essa ponte será recuperada e alargada. Só nos lotes 2 e 3, serão investidos R$ 280 milhões. "O que determinará o ritmo é a competência de quem executa e, evidentemente, as limitações que, às vezes, por razões técnicas, temos que observar, como solos moles em alguns pontos", salientou. Para as obras de duplicação, a rodovia foi dividida em quatro lotes.
O lote 2 já está com aproximadamente 14 quilômetros de terraplenagem pronta e destes, quatro quilômetros estão com brita graduada, que é a base do pavimento. A colocação de asfalto neste trecho deve começar em janeiro próximo. O lote 3, onde o pavimento será de concreto, está com 13 quilômetros de terraplenagem pronta, e no próximo mês começa a receber sub-base de concreto rolado. Ao todo, são 27 quilômetros de terraplenagem feitos em 11 meses de serviço. A previsão é que os dois lotes, que somam 52 quilômetros, sejam concluídos em junho de 2012.
A duplicação do lote 1, que compreende o contorno de Pelotas - desde a ponte do Retiro, na BR-116, até a ponte sobre o Canal São Gonçalo, na BR-392 -, atingindo um espaço de 24 quilômetros, está em processo de licitação. O lote 4, da avenida Maximiano da Fonseca ao km zero da BR-392, na avenida Honório Bicalho, abrangendo 8,8 quilômetros, está em fase final de projeto. Por envolver a zona portuária, é mais demorado, devendo ficar pronto só em abril de 2011. "Temos a satisfação de dizer que estamos trabalhando de maneira bastante forte e mobilizada em relação a duplicação deste trecho da BR-392 e licitando a duplicação da BR-116, entre Pelotas e Guaíba", informou Passos, acrescentando que em 60 dias deve-se ter o resultado desta licitação.
Pedágio
Questionado sobre como ficará o pedágio, o ministro relatou que os estudos sobre o assunto estão sendo concluídos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Explicou que há uma proposta prevendo a retirada de algumas estradas de menor porte do Polo Rodoviário de Pelotas, "o que vai repercutir no preço do pedágio". "Os estudos ainda estão sendo concluídos, buscando uma solução que beneficie os usuários da rodovia. A resolução deve ocorrer no início do próximo governo", comentou, acrescentando que o tema será conduzido pelo próximo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento.
Na ocasião, Paulo Sérgio Passos recebeu da deputada Miriam Marroni, articuladora regional contra o modelo de pedágios da Associação dos Usuários das Estradas Pedagiadas (Asurcon), uma Carta Aberta das Comunidades da Zona Sul do Rio Grande do Sul. No documento é solicitada a revisão do atual modelo de pedágio. "Acreditamos que, com as duplicações das BRs 392 e 116, se abre a possibilidade de criação de um novo modelo de concessão nas novas vias e a rediscussão do valor das tarifas das vias atuais", disse Miriam.
No documento, é observado que o atual modelo tem sido "uma porteira fechada ao desenvolvimento regional", sem que se justifique sua forma atual, visto que as estradas pedagiadas (BR 116 e BR 392) foram construídas com recursos públicos. E o cálculo da tarifa não corresponde ao serviço prestado. É observado que os custos acrescidos aos produtos comercializados na região e para fora dela são majorados em virtude das tarifas escorchantes.
Na Carta é salientado que "um caminhão com reboque, caminhão-trator com semirreboque com 10 eixos, paga de Rio Grande a Porto Alegre cerca de R$ 350, e um carro de passeio R$ 36, valores muito superiores ao gasto no deslocamento Porto Alegre-São Paulo. A despesa das famílias de agricultores, estudantes e aposentados das comunidades rururbanas, situadas no entorno das praças são insuportáveis à economia delas".
Por Carmem Ziebell
carmem@jornalagora.com.br