iFood e 99 se unem contra ameaça que vem do outro lado do mundo

O mercado de delivery no Brasil é um dos mais dinâmicos do mundo, e, em 2026, essa dinâmica entrou em uma nova fase, marcada por disputas acirradas. Nesse contexto, iFood e 99 se unem contra a ameaça que vem do outro lado do mundo, representada pela Keeta, plataforma que pertence ao gigante chinês Meituan. Esta guerra de concorrência vai muito além de apenas números; envolve complexidades que afetam consumidores, entregadores e a própria estrutura do mercado.

Nos últimos anos, o iFood se consolidou como líder absoluto do setor, detendo cerca de 80% do mercado de delivery no Brasil. Porém, a chegada da Keeta, com um bilhão de dólares em investimentos prometidos, trouxe uma nova urgência. O objetivo da Keeta é expandir rapidamente, alcançando até mil cidades brasileiras. Entretanto, a companhia enfrenta desafios significativos, como a dificuldade em fechar contratos com grandes redes, que estão “bloqueadas” por acordos de exclusividade com o iFood e outros aplicativos, como a 99. Isso gera um dilema: a empresa preferiu adiar sua estreia no Rio de Janeiro a atuar sem a estrutura competitiva necessária, enquanto iFood e 99 argumentam que o mercado continua aberto e regulado.

Quem é a Keeta e por que ela preocupa?

A Keeta não é apenas mais uma empresa de delivery; ela é uma extensão de um dos maiores conglomerados de tecnologia do mundo. Pertencente ao grupo Meituan, a Keeta traz consigo não apenas capital, mas também um modelo de negócios que já provou ser eficaz em outros mercados. Ao anunciar um investimento significativo, a Keeta pretende mudar o cenário competitivo no Brasil, especialmente nas regiões metropolitanas, onde a presença de grandes redes de restaurantes é mais forte.

Um dos principais pontos de conflito é a questão da exclusividade nos contratos com restaurantes. A Keeta alega que mais da metade das grandes redes já estão comprometidas com acordos de exclusividade, o que limita severamente sua capacidade de oferecer uma experiência diversificada aos consumidores. Essa situação não é apenas uma barreira para a Keeta, mas um dado que evidencia um aspecto crítico da competição: quem controla os contratos com os restaurantes tem uma vantagem significativa no mercado de delivery.

O domínio do iFood e o papel da 99

Atualmente, o iFood é uma força dominante no mercado de delivery, mas a presença da 99 não deve ser subestimada. A 99, originária do setor de transporte por aplicativo, está ampliando sua atuação para o segmento de delivery. Essa estratégia, vista como uma forma de se fortalecer diante das pressões externas, proporciona à 99 uma nova oportunidade de se posicionar como uma alternativa viável ao iFood.

Em 2023, o iFood fez um movimento importante para desmistificar suas práticas padrão ao assinar um termo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que proíbe acordos de exclusividade com redes que possuem mais de 30 lojas. Contudo, a Keeta continua a questionar a validade dessas mudanças, alegando que práticas restritivas ainda estão em vigor, o que levou a novas discussões no Cade.

O que está realmente em jogo

As discussões sobre o futuro do setor de delivery vão além do simples embate entre empresas. Nesse contexto, diversos fatores estão em jogo:

  • A concentração do mercado: Com a chegada da Keeta, há um risco real de oligopolização, onde um número limitado de empresas controla toda a estrutura de delivery, bloqueando a entrada de novos jogadores.

  • As regras de exclusividade com restaurantes: Esse aspecto é crucial para entender como esses aplicativos conseguem se estabelecer no mercado e até mesmo determinar a experiência do consumidor.

  • A remuneração mínima de entregadores: Um dos debates mais acalorados gira em torno do valor que os entregadores devem receber por suas atividades. Atualmente, questões sobre uma remuneração mínima, sugerindo R$ 8,50 por entrega, servem como um reflexo das disparidades e desafios que esses trabalhadores enfrentam.

  • O preço final para o consumidor: A competição entre as plataformas pode inicialmente reduzir os preços, mas se não houver um equilíbrio, a consolidação do mercado pode levar a tarifas mais altas e menos opções no futuro.

Os efeitos para consumidores e entregadores

Com o cenário cada vez mais competitivo, os consumidores podem inicialmente se beneficiar de promoções e taxas reduzidas. A entrada da Keeta poderia resultar em uma pressão positiva sobre o iFood e a 99 para manter os preços baixos. Porém, é preciso ter cuidado, pois a concentração de mercado tende a reduzir opções a longo prazo. Assim, o que é um benefício instantâneo pode se transformar em uma desvantagem futura.

Para os entregadores, a situação é ambígua. Enquanto novas plataformas como a Keeta prometem abrir oportunidades de trabalho, o debate sobre a remuneração mínima levanta questões sobre a sustentabilidade dessas atividades. A introdução de um piso salarial poderia reestruturar a dinâmica do mercado, mas também poderia ter impactos adversos, como a diminuição da flexibilidade que muitos entregadores buscam.

iFood e 99 se unem contra a ameaça que vem do outro lado do mundo

Neste contexto tumultuado, iFood e 99 se unem contra a ameaça que vem do outro lado do mundo. Essa união não se estabelece apenas no sentido literal, mas também em termos de estratégias e regulamentações. Ambas as empresas estão cientes de que a competição com uma multinacional controla o mercado de delivery é uma batalha que precisa ser enfrentada com seriedade.

A movimentação conjunta pode ser vista como uma resposta a uma necessidade crescente de adequar o setor às novas realidades do mercado. Essa união pode estimular um cenário mais amigável para os restaurantes e entregadores, desafiando a Keeta a se adaptar a um realismo brutal.

Perguntas frequentes

Por que a Keeta é vista como uma ameaça ao iFood e à 99?
A Keeta, pertencente ao grupo Meituan, está investindo bilhões para expandir no Brasil, o que pode mudar a dinâmica competitiva, especialmente em regiões metropolitanas.

Quais são as preocupações em relação aos contratos de exclusividade?
Os contratos de exclusividade com grandes redes de restaurantes limitam a concorrência e são vista como uma barreira à entrada de novas plataformas, como a Keeta.

O que a iFood fez em relação às práticas de exclusividade?
O iFood assinou um termo com o Cade proibindo acordos de exclusividade com redes que possuem mais de 30 lojas, mas a Keeta ainda alega que práticas restritivas persistem.

Como a concorrência impacta o preço final para o consumidor?
Aumentos na concorrência geralmente resultam em promoções e preços mais baixos, mas a consolidação do mercado pode levar a tarifas mais altas no longo prazo.

Qual é a posição da 99 neste mercado competitivo?
A 99 está expandindo sua atuação para o segmento de delivery, buscando fortalecer seu papel no mercado e desafiando as práticas dominantes do iFood.

Quais são as principais questões envolvendo os entregadores?
As discussões sobre remuneração mínima e trabalho em condições adequadas são centrais para o bem-estar dos entregadores, refletindo uma tensão entre novas oportunidades e desafios de sustentabilidade.

Conclusão

A batalha pela supremacia no mercado de delivery brasileiro está apenas começando e promete ser um evento que moldará o futuro desse setor. iFood e 99 se unem contra a ameaça que vem do outro lado do mundo, e a determinação de cada uma dessas plataformas para facilitar as operações e atender às necessidades dos consumidores resultará em um ambiente econômico mais vibrante. O que ficou claro é que enquanto a concorrência se intensifica, os desafios também se multiplicam, exigindo medidas concretas para garantir um espaço de operação justo e competitivo, beneficiando não apenas as empresas, mas também os consumidores e entregadores. O futuro do mercado está se desenhando e ele promete ser repleto de mudanças que merecem uma análise cautelosa e participativa.