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Repensando o objeto de ensino

04 de outubro de 2010 - Roberta Carvalho

Repensando o objeto de ensino de uma aula de português
Roberta Silveira Carvalho

O capítulo “Repensando o objeto de ensino de uma aula de português” de Irandé Antunes traz para reflexão os principais equívocos do estudo da Língua Portuguesa, mostrando que em sala de aula o que prevalece é o ensino mecânico e a memorização de regras ortográficas, afirmando que a leitura é reduzida a momentos de exercícios e não ao prazer de ler e que a gramática é ensinada sem contextualização.
Antunes expõe que o professor não sabe ser crítico, pois está acostumado que lhe digam o que ele tem que fazer. Como a tradição é seguir o material didático, o professor não aprendeu a criar e a inventar seus programas de aula, ou seja, o conhecimento que ele transmite é produzido por outra pessoa. Nesse contexto, o que sobressai é um professor que transmite conteúdos e não um professor pesquisador, investigador, questionador e reflexivo.
Para que uma aula de português abranja as competências da língua, pois essa é a proposta, é necessário que se mude o foco do estudo, isto é, a mudança das técnicas usadas em sala de aula. A escola precisa se afastar da perspectiva nomeadora e classificatória na qual trabalha e passar para a perspectiva da língua-em-função, ou seja, ter como objetivo a língua como uso social. Para que isso aconteça, Irandé propõe que o objeto de estudo seja o texto, pois por meio dele se estuda o todo, se compreende o sentido que as palavras transmitem, assim, o aluno terá uma visão plena de língua.
Nessa perspectiva, o programa para uma aula de português abrangeria o falar, o ouvir, o ler e o escrever textos. Para o desenvolvimento dessas habilidades o professor poderia desenvolver atividades, como debates acerca de temas polêmicos, pois assim os alunos poderão trabalhar a argumentação, defendendo, justificando, criticando pontos de vistas distintos. Vale lembrar que essa atividade constitui parte da competência comunicativa dos falantes, uma vez que ela implica um exercício de usos da língua, ou seja, o professor pode pedir para que o aluno ao se expressar use a fala formal ou a fala informal, mostrando a variabilidade de utilização que a língua pode ter, de acordo com as diferenças da situação comunicativa.
Para o desenvolvimento da competência da escrita e da leitura, o professor pode realizar atividades que exijam diferentes gêneros de textos, como pedir para os alunos escreverem uma receita, um relatório de atividades realizadas durante a semana, um cartaz com informações sobre a escola para a comunidade, lista de assuntos estudados, ou seja, propor uma escrita contextualizada, em que o aluno possa ver o sentido do que está fazendo e assim abandonar a escrita vazia, de palavras soltas.
Ensinar ao aluno também que para realizar uma atividade de escrita é necessário que haja o hábito de planejar um texto, isto é, o aluno precisa planejar, fazer um esboço sobre o que vai escrever, depois escrever e em seguida revisar e reformular seu texto, assim ele realizará uma atividade de escrita completa, pois o que prevalece não é quantidade de textos que o aluno desenvolve e sim a qualidade desses textos.
No momento que o professor proporciona a oportunidade de escrita e leitura de diversos gêneros textuais, o aluno é levado a perceber a multiplicidade de usos e funções a que a língua se presta. Compete ao professor ajudar o aluno a identificar os elementos típicos de cada gênero textual, desde suas diferenças de organização, de sequenciação até suas particularidades propriamente lingüísticas. Desse modo, o aluno alarga sua visão de uso da língua, ou seja, deixa de ver a língua apenas pelo lado de certo ou errado e passa a ver que a língua que ele estuda é a mesma língua que circula em seu meio social.
Nessa perspectiva de ensino, a gramática não deve ser ensinada solta e sim contextualizada, isto é, ensinar as categorias gramaticais tendo em vista apenas a categoria em si não é a melhor maneira, precisa-se mostrar ao aluno a função que uma categoria gramatical desempenha para o sentido do texto. Não basta saber apenas que o MAS, por exemplo, é uma conjunção adversativa ou que ELE é um pronome pessoal do caso reto. É preciso que se saiba que efeitos se consegue com o uso do MAS para a sinalizar uma oposição entre dois segmentos e assim obter um efeito especifico, ou o que pode acontecer com a compreensão do texto quando se usa um pronome.
Saber se um pronome é átono ou tônico, reto ou oblíquo, não é regra de gramática; agora saber como o pronome deve ser usado para retomar uma referência feita anteriormente em um texto, por exemplo, é uma regra. Ou seja, para que se garanta a coerência e adequação comunicativa é necessário que se analise o emprego dessas unidades dentro do texto.
Como exemplo dessa proposta de ensino, Irandé sugere atividades com textos publicitários, textos que circulam em nosso meio, que permite uma exploração semântica das palavras e não somente sintáticas e morfológicas. Ou seja, mostrar ao aluno as diversas possibilidades de jogos que se faz com a linguagem, proporcionando ao aluno um contato prazeroso com escrita e a com leitura.
Diante do que foi apresentado pela professora Irandé, pode-se concluir que o ensino com ênfase apenas no ensino da gramática descontextualizada, não considerando a situação comunicativa, conduz o aluno ao declínio das competências do uso da língua, em circunstâncias de oralidade, de leitura e de escrita. Mas se mudarmos as técnicas de ensino da língua portuguesa como a autora propõe, mostrando sempre para o aluno que a única linguagem que faz sentido, para qualquer pessoa, é aquela que expressa o que queremos dizer, teremos um aluno que pensa, que cria, que planeja, que executa uma escrita madura.

*As informações não expressam necessariamente a opinião do Jornal.

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