Rio grande, sábado, 25 de março de 2017, 12:40h

ONG acusa canil de fazer capturas ilegais

A responsável pela Ong SOS Animal, Mariza Justo de Almeida, foi ao Ministério Público registrar uma denúncia contra o Canil Municipal. Segundo ela, o Canil estaria realizando capturas ilegais. Na semana passada, Mariza disse que três cadelas comunitárias, que vivem na parte dos fundos do Centro de Eventos, todas castradas, desverminadas e vacinadas pela ONG, foram capturadas pela carrocinha.

Mariza apresentou ainda um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público e o Município, em fevereiro de 2011 que, em sua cláusula primeira diz: “o ingresso de animais no canil municipal dar-se-á exclusivamente nos casos destes estarem acarretando risco à saúde pública ou estarem em situação de sofrimento em via pública”. Ela disse também que as cadelas são extremamente dóceis e que não atacam ninguém.

Além disso, Mariza contou que foi ao Canil, com a veterinária responsável pelas castrações, Edelmira da Fonsceca, na última quinta-feira, 28 de junho, buscar as cadelas que estavam magras e assustadas. Como se não bastasse, a responsável pela Ong alegou que um funcionário do Canil teria dito que se os animais continuassem no local onde ficam habitualmente, poderiam acabar sendo envenenados.

Por fim, Mariza afirmou que todos os animais comunitários castrados pela ONG recebem uma coleira de identificação, mas elas são constantemente retiradas. O ideal, segundo ela, seria adotar um sistema de chip para a identificação dos animais, mas a ONG não possui recursos para comprar um aparelho de chip que custa cerca de R$ 600. Segundo Mariza, em torno de 300 cadelas e 300 gatas são castradas por ano pela ONG que atende pelos telefones 8116.4255 ou 3232.5588 no período da tarde.

Canil rebate acusação

Procurada pela reportagem do Agora para falar sobre o assunto, a responsável pelo Canil Municipal, Roberta Miranda, informou que o Canil havia recebido duas reclamações do responsável pelo Centro de Eventos, de que havia cadelas no cio naquele local. Na primeira vez, nada foi feito, já na segunda vez que foi feita a reclamação, Roberta disse que foi autorizada a captura. De acordo com ela, a intenção era recolher os animais, castrar e devolver no mesmo local, como já é de praxe. “Quando nos disseram que já eram castradas, devolvemos”, concluiu.

Para ela, o ideal é que o animal tenha uma casa, evitando que o mesmo sofra maus tratos, ou seja, atropelado, mas como isso nem sempre é possível, o Canil pede que sejam colocadas coleiras nos animais comunitários para a sua identificação. Roberta explicou que as capturas são feitas quando a vigilância de zoonose identifica algum animal que possa colocar em risco a saúde ou a segurança das pessoas; quando um animal agride uma pessoa, - nesses casos, ela disse que normalmente o Posto de Saúde que atende a pessoa já passa a informação ao Canil; ou quando o animal não é castrado, o Canil captura, faz a cirurgia e espera o período de recuperação para devolvê-lo no mesmo local. “Quando o animal já é castrado o pessoal entra em contato e nós devolvemos”, enfatizou.

A responsável do Canal afirmou ainda que jamais permitiria que um animal fosse envenenado, segundo ela a eutanásia era uma prática que se utilizava antigamente, mas que hoje não é mais permitido. Sobre as cadelas estarem magras e assustadas, Roberta disse que a informação não é verdadeira, pois todos os animais do Canil recebem ração de boa qualidade e água a vontade. 

Roberta disse por fim que presta contas ao Ministério Público semestralmente com relatórios de todos os animais que entram no Canil. Segundo ela, uma média de 10 cadelas são castradas, por mês, e recebem chip para identificação. O Canil está atualmente com cerca de 40 animais, muitos deles disponíveis para adoção. Mais informações sobra adoção no site adotenocanil.blogspot.com.

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