Rio grande, sábado, 25 de maio de 2013, 01:00h
Depois de uma semana sem trabalhos, devido à participação de parlamentares nas festas juninas do Nordeste e na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira ouvirá nesta semana o depoimento de nove convocados. Os depoentes são pessoas ligadas aos governadores Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, e Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal.
Nesta terça (26) está marcado o depoimento de Lúcio Fiúza Gouthier, ex-assessor de Perillo. De acordo com informações prestadas anteriormente à CPMI, ele teria presenciado o pagamento referente à venda da casa do governador de Goiás. O comprador, de acordo com investigações da Polícia Federal, seria Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro deste ano sob suspeita de comandar uma rede criminosa. Para comprar a casa, Cachoeira e Perillo, de acordo com as investigações, utilizaram formas de encobrir o negócio.
Outro depoente da terça-feira é Écio Antônio Ribeiro, um dos sócios da empresa Mestra Administração e Participações. Localizada em um condomínio luxuoso de Goiânia, a casa que era de Perillo foi registrada em um cartório em Trindade (GO) no nome dessa empresa.
Está marcado também para esta terça o depoimento de Alexandre Milhomen, arquiteto que trabalhou na reforma da casa e que teria recebido de Cachoeira e de sua mulher o pagamento de R$ 30 mil pelo serviço.
Na quarta-feira (27), estão marcados os depoimentos de Jayme Eduardo Rincón, ex-tesoureiro da campanha de Perillo, e de Eliane Gonçalves Pinheiro, ex-chefe de gabinete do governador. Rincón é suspeito de ter recebido R$ 600 mil do grupo de Cachoeira. Eliane é suspeita de repassar informações sobre operações policiais aos investigados pelas operações Monte Carlo e Vegas. Ela seria uma das integrantes do grupo que recebeu de Cachoeira telefones celulares por rádio habilitados em Miami (EUA).
Também na quarta está marcado o depoimento de Luiz Carlos Bordoni. Radialista, ele disse, em uma entrevista, que recebeu dinheiro da empresa Alberto & Pantoja Construções, investigada como parte do esquema de Cachoeira. O dinheiro, de acordo com o radialista, referia-se ao pagamento de serviços prestados durante a campanha de Marconi Perillo ao governo de Goiás em 2010.
Bordoni também detalhou que parte do pagamento - foi depositada na conta de sua filha, Bruna Bordoni, que já trabalhou no gabinete do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO). A outra parte, de acordo com o radialista, foi paga pelo próprio Perillo. O governador negou, no entanto, ter feito esse pagamento.
Na quinta-feira (28), estão marcados depoimentos de pessoas ligadas a Agnelo, entre elas Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador do DF. A expectativa é que ele compareça, mas que não fale, já que conseguiu no STF habeas corpus garantindo o direito de ficar em silêncio. Monteiro é citado nas gravações feitas pela PF e suspeito de ligação com o grupo de Cachoeira.
Além de Monteiro, devem falar à CPMI na próxima quinta-feira o ex-assessor da Casa Militar do DF Marcello de Oliveira Lopes, conhecido como Marcelão, e o ex-subsecretário de Esportes do Distrito Federal, João Carlos Feitoza, conhecido como Zunga, suspeito de receber dinheiro do grupo de Cachoeira.