Rio grande, segunda-feira, 28 de julho de 2014, 03:13h

Hitler teria estado no Cassino?

Por: Germano S. Leite

Adolf Hitler, o temido nazista que levou o mundo à Segunda Guerra Mundial no final da década de 30, teria passado pela praia do Cassino em 1947, dois anos após seu suposto suicídio em Berlim, em abril de 1945. Pelo menos é o que defende o jornalista argentino Abel Basti, que alega ter tido acesso a um memorando do FBI (Federal Bureau of Investigation), órgão de inteligência norte-americano. A informação foi publicada na edição de domingo do jornal Vale dos Sinos, de São Leopoldo.

O suposto documento, datado de 5 de junho de 1947, seria um dos principais pilares que sustenta a tese de que o nazista e sua companheira, Eva Braun, teriam escapado do cerco a Berlim e fugido, com a anuência dos EUA, para a América do Sul, onde viveram ainda por um bom tempo. De acordo com Basti, Hitler e Eva Braun teriam se radicado em uma fazenda chamada Incalco, próximo a Bariloche, no sul da Argentina, onde tiveram um casal de filhos. Localizada em meio a uma floresta de pinheiros, a fazenda só podia ser alcançada por barco ou hidroavião, e pertencia ao empresário argentino Jorge Antonio, um dos amigos mais confiáveis do então presidente Juan Domingo Perón. Para reforçar a tese, Basti lembra que na Patagônia chilena (a 13 horas de Bariloche) está localizada a Colônia Dignidade, um agrupamento declaradamente nazista fundado em 1961.

Basti faz segredo sobre o memorando do FBI, pois guarda as informações para a publicação de um novo livro, que deve ser publicado em breve. O jornalista revela apenas uma parte do informe norte-americano sobre a presença de Hitler em Rio Grande: “A comunidade onde alega-se que teriam sido vistos Hitler e Eva Braun foi a localidade de Casino (sic) perto do Rio Grande, Brasil.” O argentino, que já publicou os livros “Hitler na Argentina” (2003) e “El Exílio de Hitler” (2010), há 20 anos investiga a suposta fuga de Hitler de seu bunker construído sob o prédio da Chancelaria em Berlim, e sua estada na América do Sul.

Outros que defendem a tese da fuga de Hitler são os britânicos Gerrard Williams e Simon Dunstan. Eles lançaram recentemente o livro “Grey Wolf: The Escape of Adolf Hitler”, no qual sustentam a ideia de que o alemão realmente teria conseguido escapar do cerco ao bunker nazista em Berlim, após negociar com os EUA.

O livro, que deve virar filme em breve, conta que Hitler teria se beneficiado de uma suposta traição das forças norte-americanas à então aliada União Soviética. Para garantir acesso à avançada tecnologia militar alemã, EUA e Reino Unido teriam permitido a fuga do nazista e sua companheira, em um submarino. Reforçando essa tese, documentos e jornais da época registram que o líder soviético Josef Stálin sabia que o “Führer” havia escapado e “se refugiado na Espanha ou na Argentina”.

De fato, não há prova cabal da morte de Hitler e Eva Braun. O que se tem são relatos de que o nazista teria se suicidado com um tiro na cabeça, e que sua companheira teria ingerido uma cápsula de cianureto, e então seus corpos foram queimados por soldados leais ao “Führer”. Estudos em fragmentos de um crânio antes tido como sendo o de Hitler já apontaram que o mesmo não seria dele. A versão de que o nazista teria morrido em Berlim foi baseada exclusivamente em relatório feito pelo major britânico Hugh Trevor-Roper, que em 1945 ouviu depoimentos de alguns oficiais alemães próximos a Hitler.


Brasil

Abel Basti diz que o livro dos britânicos é uma “compilação não autorizada” de suas obras. O jornalista argentino diz que inclusive já abriu um processo por plágio contra a editora dos britânicos. Para seu novo livro, Basti guarda algumas novas revelações, como a de que Hitler teria vivido alguns anos também no sul do Brasil. Relatos dão conta da passagem dele por Curitiba, em 1948, além da suposta estadia na praia do Cassino, um ano antes. Segundo Basti, informações indicam que o nazista frequentemente vinha ao país, onde apreciava apresentações de uma pianista tcheca. Ele aponta ainda testemunhos sobre a presença de Hitler no Paraguai e no Chile.

Hitler, segundo esta versão, teria vivido até 1971, aos 81 anos (ano em que o FBI teria encerrado o “caso Hitler”), e foi sepultado em um bunker subterrâneo na região próxima a Bariloche. Basti acredita que agora, passados mais de 65 anos de sua suposta morte em Berlim, a verdadeira história poderia estar vindo à tona, por meio de documentos oficiais que estão perdendo o sigilo (“desclassificados”) ou mesmo por testemunhos e fotos dos supostos descendentes. Aí então, talvez possa se saber realmente se a passagem de um dos homens mais temidos da história moderna pela maior praia do mundo é fato ou ficção.

www.jornalagora.com.br