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A televisão estatal iraniana transmitiu na noite de domingo (5) supostas confissões de indivíduos acusados de assassinar cientistas nucleares iranianos, afirmando que trabalharam como agentes israelenses para sabotar o programa nuclear do país.
Em um documentário chamado "Clube do Terror", um grupo de homens e mulheres sentados contra um fundo preto confessou ter passado por semanas de treinamento em Israel e, em seguida, ter retornado ao Irã para cometer os assassinatos dos cientistas nucleares.
Um homem entrevistado, Behzad Abdoli, disse que ele foi levado para um campo de treinamento, cuja localização foi censurada no filme. "Eu recebi treinamento militar lá, treinamento para andar de moto, atirar, defesa pessoal", disse Abdoli. "Eles nos deram treinamento de informação também, como tirar fotos, por exemplo. Demorou cerca de 40, 45 dias."
Cinco cientistas iranianos e acadêmicos foram mortos ou atacados desde 2010 em incidentes que se acreditava terem como alvo o polêmico programa nuclear do Irã, que alguns países do Ocidente insistem que se destina a produzir uma bomba atômica. O Irã nega isso, argumentando que seu programa nuclear tem fins pacíficos, e denunciou os assassinatos de seus cientistas como atos de terrorismo cometidos pelas agências de inteligência ocidentais e pelo Mossad, agência israelense de inteligência.
Reconstituição
O filme mostrou reconstituições dos assassinatos, com os suspeitos narrando como eles foram realizados. Essa parte incluiu imagens de um suposto campo localizado nos arredores de Tel Aviv. Abdoli disse que ele viajou para Israel via Turquia e Chipre.
O narrador do documentário afirmou que um "país vizinho" havia ajudado a levar os suspeitos para Israel sem ser detectados. O chefe da inteligência iraniana, Heydar Moslehi, disse no mês passado que a República Islâmica havia fechado duas redes dentro e fora do país que, segundo ele, estavam envolvidas no treinamento dos supostos assassinos.
As mortes, que aconteceram após explosões misteriosas nos locais militares, e um vírus de computador, Stuxnet, que danificou centrífugas iranianas e foi descoberto em 2010, pareceram fazer parte de uma campanha de sabotagem secreta visando impedir o seu programa nuclear. Os Estados Unidos negaram envolvimento nos assassinatos, enquanto Israel tem permanecido em silêncio.
Por Folhapress