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| Foto: AFP |
Mohammed Mursi assumiu oficialmente a Presidência do Egito neste sábado. Primeiro presidente democrático do país árabe, o ex-líder do braço político da grupo islâmico Irmandade Muçulmana prometeu manter a ordem constitucional e os interesses do povo egípcio. Em discurso, fez referência a Deus e jurou manter o sistema republicano e disse respeitar o Tribunal Constitucional, apesar de ter contestado a decisão que dissolveu o Parlamento, dias antes da eleição presidencial. "Respeito e valorizo o Tribunal Constitucional e seus veredictos. Todos temos interesse em que o Tribunal deva permanecer independente, forte, efetivo, sem que ninguém tenha influência sobre ele, uma instituição livre em um país livre. Hoje, o povo egípcio estabeleceu as bases de uma vida nova, de uma liberdade total, de uma verdadeira democracia", afirmou em um breve discurso.
Saída do Exército
O presidente empossado disse que o Exército do país voltará ao seu papel original, "que é proteger as fronteiras nacionais". O país foi governado por uma junta militar durante os 16 meses após a queda do ex-ditador, Hosni Mubarak. Em discurso na universidade do Cairo, Mursi afirmou também que apoia os direitos legítimos dos palestinos e quer trabalhar para retomar a união dos movimentos rivais Fatah e Hamas, principais organizações da região.
A cerimônia de posse, prevista para as 11h locais (6h em Brasília), começou com quase duas horas de atraso. O procedimento para o juramento do cargo gerou divergências entre os militares no poder e a Irmandade Muçulmana. A junta considerava que Mursi deveria tomar posse no Tribunal Constitucional, mas os islamitas insistiram no Parlamento, oficialmente dissolvido, mas que para eles permanece legítimo.
O presidente cedeu, mas já havia desafiado o Exército ao prestar um juramento simbólico ao cargo diante de milhares de pessoas na sexta-feira na praça Tahrir, "a praça da liberdade e da revolução", em suas próprias palavras. Mursi derrotou o último primeiro-ministro de Hosni Mubarak, Ahmed Shafiq, na eleição presidencial, que teve o segundo turno celebrado nos últimos dias 16 e 17. O islamita recebeu 51,73% dos votos. Na sexta, Mursi fez seu primeiro discurso ao povo egípcio após a eleição, na praça Tahrir, ao lado de milhares de partidários da Irmandade Muçulmana. Durante o discurso, Mursi leu o juramento de posse na praça Tahrir e desafiou os militares dizendo não temer ninguém, apenas a Deus. O recém-eleito presidente disse que o poder era do povo e que nenhuma autoridade poderia tirar o poder dele. Mursi prometeu que o Egito será um "estado civil, patriota e constitucional".
"Juro por Deus preservar o sistema republicano, respeitar a Constituição e a lei, proteger por completo os interesses do povo e preservar a independência da Nação e a segurança de seu território", prometeu ante a multidão.
Em seu discurso, Mursi - cuja eleição causou preocupação entre a grande comunidade de cristãos coptas -, aludiu aos Estados Unidos alertando que sua política será marcadamente diferente da de seus antecessores. Também prometeu à multidão que tentará obter a liberdade de Omar Abdul Rahman, um clérigo egípcio cego e preso em função dos ataques ao World Trade Center. Abdul Rahman foi condenado por seu papel no ataque ao World Trade Center, em outros planos de ataque a alvos em Nova York, incluindo as Nações Unidas, e um plano para assassinar o ex-ditador Hosni Mubarak.
Por Folhapress