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Centenas de pessoas se mobilizaram ontem, em protesto que começou em frente à Câmara de Vereadores, por volta das 14h. A nova integração tarifária de transportes coletivos implantada no Município, há pouco mais de uma semana, foi o que mobilizou a população. As principais reivindicações dos usuários do transporte coletivo são a extinção de algumas linhas, a obrigatoriedade da posse do cartão “Mais Rio Grande” e a falta de segurança, principalmente para as crianças que estudam à noite nas escolas França Pinto, Getúlio Vargas, 13 de Maio e Emílio Luiz Mallet, que pegavam o ônibus na frente da escola e, agora, em função da mudança de sentido da rua Dom Bosco, precisam caminhar até a avenida Pelotas para pegar o coletivo.
Conforme a agente educacional da escola Getúlio Vargas, Lílian da Silva Ney, a nova situação já ocasionou alguns assaltos no local, porque as ruas daquele bairro não estão iluminadas. “Com a volta às aulas, acho que a situação deverá se agravar”. Ela também disse que o mesmo irá acontecer com os estudantes da Escola Barão de Cêrro Largo, que terão que atravessar a rua Aquidaban para pegar o ônibus.
A comerciante Enilda Xavier, moradora da avenida Uruguai, no bairro Frederico Ernesto Buchholz, disse que o retorno do Centro para a casa ficou mais complicado com a integração. Segundo ela, o mesmo acontece com os moradores do Parque Marinha e com os trabalhadores que precisam ir para o porto. Ela também disse que, recentemente, pavimentaram um trecho da rua em frente à sua casa, antes de mudarem o sentido da via, no entanto, contou que a rua continua cheia de buracos, porque não deram seguimento à obra.
O vereador Cláudio Costa (PCdoB) entende que o Executivo deveria, no mínimo, reaver algumas linhas. Além disso, ele ressaltou que o sistema de integração tarifária deveria ser uma opção para as pessoas, não uma obrigação, e que foi um equívoco colocar o sistema em vigor sem uma infraestrutura de segurança adequada.
Os manifestantes seguiram até o prédio da Prefeitura, onde gritavam em coro: “queremos Fábio” ou “o povo na rua, Fábio, a culpa é tua”. Cerca de meia hora depois, o prefeito Fábio Branco solicitou que comparecessem à sala de reuniões da Prefeitura integrantes da imprensa e pelo menos quatro manifestantes. Na oportunidade, o prefeito foi irredutível ao esclarecer à imprensa que a integração continua. “O sistema é importante para a mobilidade urbana e para a segurança dos usuários”, disse. Segundo ele, quase todas as linhas continuam como eram antes, e a quantidade de pessoas que fizeram a integração na última semana não chegou a 5% do número total de usuários do transporte coletivo no mesmo período (35 mil), levando em consideração as férias escolares e os dias de mau tempo.
Fábio também alegou que a Prefeitura está monitorando, diariamente, os números de usuários de cada linha e, a partir daí, poderá fazer algumas modificações quanto à frota de ônibus para cada trajeto, horários e até readaptar algumas linhas se for necessário. Por fim, ele disse que a maioria das reclamações surgem de pessoas que não utilizam os coletivos, de gente como “a meia dúzia de gatos pingados que vieram aqui bagunçar”, reclamou. O prefeito acredita que, na verdade, o que está faltando é informação. Para tanto, disse que, nos próximos dias, os usuários receberão informativos junto às estações de integração e dentro dos ônibus. Ele também anunciou que promoverá novas reuniões públicas nos bairros para prestar esclarecimentos. “O governo e a Secretaria dos Transportes estão à disposição para receber as pessoas, promover reuniões e ajudar nesse processo inicial de mudanças. Desde que haja respeito”, concluiu. Os quatro manifestantes convidados pelo prefeito preferiram não comparecer à sala de reuniões.
O protesto seguiu pelas ruas do centro da cidade, o que levou integrantes do 6° Batalhão da Polícia Militar a interferir. O aparato policial contou com dezenas de militares, pelo menos cinco viaturas e dois cavalos. A tropa de choque, com escopetas e escudos, também foi mobilizada. Enquanto as centenas de pessoas protestavam pela extensão da rua General Neto, a estudante Raquel Valério alegou ter sido empurrada por um policial. “Ele disse que eu estava infringindo a lei e pediu para eu sair da sua frente. Como eu não obedeci, ele me empurrou”, contou a estudante. Pelo menos 400 pessoas se mantiveram na esquina das ruas General Neto e Silva Paes por quase uma hora, o que causou grande engarrafamento no centro da cidade.
Os manifestantes retornaram ao Legislativo, onde foram ouvidos pelos vereadores. “Houve um planejamento equivocado”, afirmou o vereador Francisco Spotorno (PT). Além disso, ele disse que o sistema está completamente mal organizado, pois aumentou o tempo de espera das pessoas, algumas linhas importante foram extintas, entre outros problemas de segurança que surgiram com a integração.
“É um deboche do Executivo colocar uma matéria paga na televisão dizendo que as pessoas estão satisfeitas”, ressaltou o petista, até porque a mesma emissora publicou o resultado de uma enquete que mostrou 97,46% de insatisfação. Ele também disse que existem rumores de que o titular da Secretaria de Segurança, dos Transportes e do Trânsito (SMSTT), Enoc Guimarães, poderá perder o cargo, o que, na sua opinião, também não traria grandes vantagens: “Já que ele trabalha de acordo com as decisões do Executivo”, disse. Questionado sobre a possível exoneração do secretário, o prefeito Fábio Branco negou.
Por Tatiane Fernandes
tati@jornalagora.com.br