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| Foto: Deyver Dias |
Foto: Deyver Dias
O evento, que se estenderá até esta quinta-feira, é uma atividade do Projeto Pescadores por Natureza
O Armazém A-5 do Porto Velho de Rio Grande estará sediando, desde terça-feira, a 2ª Semana da Pesca Responsável, que tem como público-alvo os pescadores artesanais e industriais das frotas que atuam no Rio Grande do Sul. O evento, que se estenderá até esta quinta-feira, é uma atividade do Projeto Pescadores por Natureza: Caracterização, Monitoramento e Qualificação das Pescarias de Arrasto no Rio Grande do Sul, desenvolvido pelo Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema) em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).
Desde o início do evento, já foram oferecidas ao público-alvo uma série de ações, como palestras, reuniões, exposição de fotos do projeto e da rotina dos pescadores, mais serviços como verificação de pressão, testes de glicemia e de visão, e corte de cabelo. Na tarde de hoje, 27, integrando a programação, também foi realizada no local uma reunião extraordinária do Fórum da Lagoa dos Patos. Neste encontro, foram apresentados os resultados preliminares do projeto do Nema com relação ao arrasto artesanal para captura do camarão-rosa no estuário da Lagoa dos Patos.
Conforme o biólogo Sérgio Estima, do Nema, foram feitas entrevistas com 200 pescadores que atuam na pesca de arrasto, que é uma atividade proibida, porém muito utilizada e enraizada na cultura dos pescadores que atuam no estuário da Lagoa dos Patos. Ele acredita que a captura com arrasto já é praticada no estuário há 50 anos. As entrevistas objetivaram levantamento socioeconômico destes trabalhadores da pesca. E paralelo a essas, a equipe do projeto fez embarques para pesquisa da captura do camarão com a arte de pesca de prancha (arrasto).
Com base nas entrevistas e embarques, foi estimado em 1.300 o número de pescadores do estuário que fazem a captura utilizando redes de arrasto. Também foi verificado que, com esta arte de pesca, os pescadores têm rendimento um pouco melhor do que o conseguido com a rede de saquinho (arte permitida dentro do estuário). No entanto, também ficou evidenciado que o arrasto captura maior quantidade de espécies não aproveitadas (rejeitos). No arrasto, são pescadas 48 espécies não aproveitadas, e com o saquinho, 20. "O arrasto é, a princípio, a arte de pesca mais impactante para o meio ambiente", observou Estima.
As informações levantadas foram discutidas pelo Fórum da Lagoa dos Patos. A programação da 2ª Semana da Pesca Responsável prevê para esta quinta-feira a oferta de testes de visão, a continuidade da exposição de fotos e uma palestra sobre "Pesca e biologia do camarão-rosa e do siri-azul no estuário da Lagoa dos Patos".