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- 02-07-2012 - 18h40min
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Ney Amado Costa, o comentarista realmente técnico - Nº 25

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Valdir Fonseca foi mais do que um treinador vitorioso, foi a própria alma do clube

 

Valdir Fonseca se notabilizou como treinador do F.B.C. Rio Grandense. Entretanto, muito antes ele era envolvido com barco de passeio e competições. No Regatas, também teve comprometimento no basquete. O futebol foi sua paixão e o Rio Grandense o seu time favorito.

Gentil Cardoso, tenente da Aeronáutica, servindo em Rio Grande, era treinador do colorado. Foi campeão Estadual em 1939 pelo F.B.C. Rio Grandense e somou muitos outros títulos estaduais por diversas cidades do interior, Pelotas, Bagé, Santana do Livramento. Gentil Cardoso era papão de campeonatos estaduais. No Rio de Janeiro, foi campeão pelo Vasco da Gama e Fluminense.

Entusiasmado com o mestre Gentil Cardoso, Valdir passou a ser auxiliar do treinador do Rio Grandense. Gentil foi embora e Valdir Fonseca assumiu o comando, seguindo alguns métodos do professor e foi muito feliz. O megafone passou a ser o instrumento importante e característico de Gentil Cardoso.

Valdir Fonseca, funcionário importante da empresa de navegação Sampayo Nickhorm, certamente não tinha remuneração, ao contrário, colaborava com o clube.

Era um treinador exigente, disciplinador, com muita dedicação ao seu trabalho, foi ganhando prestígio a cada título conquistado.

Valdir era incrível em suas decisões, chamava alguns atletas veteranos que estavam abandonando o futebol e os colocava no time titular, com o mais absoluto sucesso. Caso do zagueiro Francisco e Dirceu Ballester, em 1956, quando somou mais um título. Lançava jovens de 16 anos como Chinesinho, Gilney, Bangu e era o maior acerto. Valdir era inteligente e corajoso. Em 1957, depois de vencer o certame da cidade, Valdir fez duas modificações importantes no time para enfrentar o S.C. Pelotas, pelo Estadual. Retirou Magalhães da zaga, que era jovem, e colocou Dirceu Ballester e Gilney que se recuperava de lesão, como centroavante, no lugar de Ximango. O E.C. Pelotas era o segundo melhor time do Estado e Valdir com sua estratégia, eliminou o clube pelotense e foi vice-campeão do interior.

Valdir Fonseca tinha liderança e respeito do grupo de jogadores, dirigentes e torcedores. O que na atualidade é difícil de acontecer. Nas primeiras derrotas, começa a velha palavra: burro, burro, burro ...

Valdir teve atitudes controvertidas: em 1956 do Estádio Torquato Pontes, pelo torneio do litoral, o Rio Grandense vencia o Pelotas por 1 a 0, no segundo tempo, quando Dirceu Ballester foi expulso de campo, na saída do gramado, Valdir mandou Ballester voltar ao campo e agredir o árbitro, foi o que Ballester fez. Deu o maior rolo e o jogo foi interrompido, e a junta esportiva anulou o jogo, puniu Ballester com várias partidas, marcou outro jogo e perdemos por 1 a 0.

Em 1956, Ferrinho, zagueiro do São Paulo era a grande barreira, técnico de boa impulsão, cortava todos os cruzamentos do ataque do Rio Grandense. Ari Maia era o centroavante colorado e Valdir deu-lhe a função de marcar Ferrinho. Ari era alto, forte cobria a visão de Ferrinho e o Rio Grandense tirando vantagem deste fator, venceu o jogo. Deu certo a estratégia de Valdir e Ferrinho ficou confuso.

Diziam que em algumas vésperas de jogos, Eli Bernardino não se cuidava, recolhia-se mais tarde, Valdir foi decidido: por algumas noites, na vésperas de jogos, Eli foi dormir na residência do treinador.

Valdir preocupava-se com a alimentação dos atletas, e após os treinos, era servida a famosa canjica do Rio Grandense além dos eventuais jantares de confraternização.

Em compensação, quando o time perdia no domingo, segunda-feira, vinha o castigo: subir e desce o pavilhão social, era cansativo!

Ao saudoso Valdir Fonseca, minha admiração e respeito.


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